CONSTRUIR A GREVE NACIONAL DOS SERVIDORES EM DEFESA DO SERVIÇO PÚBLICO

Wagner Pires
Servidor da UFCA e militante da NOS

 

Atolado pelas denúncias de corrupção, o governo Temer, fiel lacaio do grande Capital, buscando agradar aos especuladores nacionais e estrangeiros, não tem conseguido levar a frente as reformas mais exigidas pela burguesia, como a reforma da previdência. Para mostrar-se útil aos interesses do Capital, ele agora foca seus ataques aos servidores públicos. E junto com ele, a mídia lança sua munição pesada em uma batalha de narrativas que busca responsabilizar os servidores públicos pela crise.

Já no ano que vem os servidores terão sua contribuição à previdência ampliada de 11% para 14%, isso sem alteração alguma nos benefícios, uma vez que continuarão atrelados ao teto do Regime Geral da Previdência, tendo que continuar a  destinar parte dos salários para planos de aposentadoria privada se desejar aposentar-se com dignidade. Um Programa de Demissão Voluntária (PDV) lançado no segundo semestre deste ano busca atrair os incautos, ampliando a falta de servidores em órgãos que já se ressentiam da falta de colaboradores. Ainda se encontram no congresso projetos de lei que acabam com a estabilidade no serviço público e, ainda, o governo não esconde de ninguém seu desejo de desmantelar as carreiras do serviço público, num esforço de precarizar ainda mais as condições de trabalho de todos os servidores.

O momento é cheio de incertezas. O chão sob os pés dos trabalhadores parece não ser sólido. Desfazem-se como espumas ao vento toda a segurança que o servidor imaginava ter. O desemprego e a piora das condições de trabalho, com a reforma trabalhista, batem a porta de um número cada vez maior de trabalhadores na iniciativa privada, que sedenta, busca ampliar a exploração sobre todo o conjunto dos trabalhadores.

Durante 13 anos de governo de conciliação de classes algumas concessões foram arrancadas, mas, dentro dos limites do Capital é impossível que se mantenham conquistas sem a luta e a mobilização dos trabalhadores. Por isso a importância de, no momento em que o serviço público é alvo de ataques sem precedentes, fazer um chamado a todos os servidores públicos, uma convocação para arrancar o futuro das garras daqueles que desejam caçar os direitos dos trabalhadores brasileiros.

O caminho para derrotar as reformas e o desmonte do serviço público é o caminho das lutas. Não podemos depositar confiança de que um novo governo saído das eleições burguesas de 2018 contrarie o sistema capitalista e governe para os trabalhadores, porque um governo dos trabalhadores só pode vir das lutas dos trabalhadores do campo e das cidades, da juventude e dos demais oprimidos.

A greve é nossa única arma. Precisamos utilizá-la de forma inteligente, mas precisamos que todos nós servidores empunhemos essa arma, para defender não só os empregos e carreiras, mas toda a classe trabalhadora, que sem o serviço público irá se ver sem saúde, sem educação e sem perspectivas, diante desse assalto ao futuro dos brasileiros. Movimentos dentro e fora dos locais de trabalho, jornadas de lutas unificadas com outras categorias, panfletagem nas praças, terminais de ônibus e estações de trem e metrô.

Unificar servidores de todo o país em uma grande greve do Serviço Público em defesa dos direitos e para barrar as reformas, enquanto se articula uma grande greve geral para derrotar o governo golpista!