Sobre o debate da candidatura da esquerda socialista nas eleições de 2018

fotomontagem: I.Bayma

Desde o golpe que levou Michel Temer ao governo, o país vive um clima de instabilidade política. O governo é extremamente desgastado e impopular tendo vários ministros e até o presidente no centro de denúncias de corrupção. Apesar disso, Temer vem conseguindo se salvar no congresso e mesmo com toda a fragilidade o governo aprovou a terceirização, privatizações e a contrarreforma trabalhista. Após a votação dessa semana, que livrou Temer de ser investigado, o governo promete seguir com os ataques e, em especial, com a contrarreforma da previdência. Portanto, segue a necessidade de construir uma ampla unidade pra lutar somando todos que querem resistir aos ataques que retiram direitos básicos dos trabalhadores.

Além disso, verificamos um importante avanço da direita mais reacionária. Políticas como a “escola sem partido” ganharam espaço e hoje há uma série de professores denunciados e sendo perseguidos. O fundamentalismo religioso em aliança com o tráfico de drogas atacam terreiros de religiões de matriz africana. Nas pesquisas de opinião, Bolsonaro aparece em segundo lugar na preferência dos eleitores. De certa forma, hoje na sociedade já existem três campos organizados que disputam a consciência das pessoas. São eles: a burguesia neoliberal, o campo do lulopetismo e a direita mais reacionária com figuras como: Jair Bolsonaro e movimentos como MBL etc. Quem está fora do jogo, até agora, é a esquerda socialista. Nesse sentido, é urgente avançar na construção de uma alternativa política que unifique o campo classista e socialista.

Apesar de sabermos que as eleições não vão resolver os problemas estruturais que os trabalhadores necessitam, o terreno eleitoral apresenta-se também como uma arena de disputa pela consciência da classe trabalhadora. Portanto, apresentar uma alternativa capaz de dialogar com a nossa classe é fundamental, já que os nomes de Lula e Bolsonaro estão colocados e ganhando espaço enquanto nós seguimos paralisados. Entretanto, opinamos que a discussão de um nome, apesar de muito importante, só tem sentido se precedido de um debate de programa, perfil e método de escolha das propostas a serem defendidas e do nome do candidato/a.

Desde a desistência de Chico Alencar colocou-se no centro dos debates na militância da esquerda qual nome o PSOL apresentará em 2018. Um debate que até agora teve muita agitação na internet e muito pouco debate de conteúdo político. Estão colocados os seguintes nomes: Guilherme Boulos (dirigente do MTST) e Nildo Ouriques (professor da UFSC), além disso, surgiram nas redes sociais os nomes de Luciana Genro (MES), Plinio de Arruda Sampaio Jr (professor da UNICAMP), Marcelo Freixo (deputado estadual do PSOL no RJ), Amanda Gurgel (MAIS), Sônia Guajajara (ativista indígena), Áurea (vereadora do PSOL em BH), Marielle (vereadora do PSOL RJ) e Babá (CST). Todos os camaradas listados gozam de nosso respeito, mas não achamos que o centro da discussão seja o nome.

Queremos insistir que o debate central passa pelo programa. Entendemos a importância do nome de um candidato/a a presidente num país onde se discute muito pouco. Mas é necessário apresentar uma alternativa programática como o elemento fundamental da discussão e sair do fla x flu de nomes. Anular todas as medidas de Temer, apresentar propostas que atinjam os interesses do capital, combater a estratégia da conciliação de classes e fazer o balanço dos governos do PT são alguns dos elementos centrais sobre os quais devemos refletir.

Para nós, a esquerda socialista não pode seguir paralisada e numa luta fracional por um nome, mas deve investir no debate político. Nessa tarefa o PSOL tem papel fundamental. O PSOL é o maior partido da esquerda socialista e o único com condições de tocar setores mais amplos de nossa classe. Portanto, o partido deve assumir a tarefa da construção do debate programático não só em suas fronteiras, mas chamar os movimentos sociais, PCB e PSTU para uma articulação que possa apresentar um programa anticapitalista e classista e uma frente da esquerda socialista. Nessa frente cabem o PSOL, PCB, PSTU, movimentos sociais e organizações socialistas que não tem registro eleitoral e não é possível aliança com partidos burgueses, nem com partidos como o PT e PCdoB.

O congresso do PSOL pode ser o pontapé inicial dessa construção e tem legitimidade inclusive para apresentar um pré-candidato, mas esse processo precisa ser construído com a base do partido e também com setores que não são do PSOL e se encontram nos marcos de um programa classista e socialista