O dia 10 de novembro: sua força e limites

Nova Organização Socialista (NOS)                                                                                Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (MAIS) 

                                                                                                                                                                            A última sexta feira (10) foi marcada por manifestações em várias capitais e cidades do país. Os protestos foram convocados com o objetivo de denunciar a reforma trabalhista, que entrou em vigor no dia 11 de novembro.

Este dia foi a primeira tentativa, neste segundo semestre, de retomar a unidade das centrais sindicais, categorias e movimentos sociais que permitiu a realização da grande greve geral de 28 de abril.

A retomada dessa unidade se iniciou a partir da articulação dos metalúrgicos, que  fizeram mobilizações conjuntas, em 14 de setembro, para unificar suas campanhas salariais e seguir o combate às medidas do governo Temer.

A importância do dia 10 de novembro reside na tentativa de recuperar essa unidade e demonstrar que há resistência da classe trabalhadora contra os ataques do governo.

Entretanto, as ações de luta na última sexta não estiveram à altura dos desafios do movimento sindical e social. É preciso muito mais para derrotar Temer, o Congresso Nacional e as reformas da burguesia.

Em nossa opinião, há alguns motivos para isso, que precisam ser debatidos e considerados pelas organizações do movimento. Em primeiro lugar, é necessário reconhecer que há um cenário de forte ofensiva burguesa contra os trabalhadores e o povo pobre, situação esta que se reflete no caráter defensivo das lutas.

O segundo motivo corresponde ao papel que cumpre as principais direções do movimento sindical e social brasileiro. Desde o início da construção da resistência, a CUT e a Força Sindical, cada uma a seu modo, tem tido estratégias que passam longe do objetivo de derrotar as reformas.

A Força Sindical é base de apoio do governo Temer, apoiou o golpe parlamentar e definiu como parâmetro da resistência a busca pela manutenção do imposto sindical. A CUT, por sua vez, vem subordinando a luta em defesa dos direitos aos objetivos eleitorais do PT. Estão mais preocupados eleger Lula em 2018 do que combater Temer com ações concretas.

Ambas as estratégias não contribuem para derrotar o governo Temer e os ataques sobre a nossa classe. E a prova e consequência disso é a realização de dias de luta muito fracos ou aquém do que a realidade exige.

Um terceiro elemento que explica o limite do dia 10 é o fato de que a reforma trabalhista não está tão popularizada como ficou a reforma da previdência entre o povo. O movimento de resistência ganhou o debate sobre as consequências negativas da reforma da previdência. Isso não aconteceu na mesma intensidade e medida com a reforma trabalhista.

Não ocorreu a mesma repercussão em relação à reforma trabalhista porque, por um lado, houve menos iniciativa de conscientização de seus impactos e a construção da resistência necessária somente ocorreu 120 dias depois da sua aprovação no congresso, na véspera da sua entrada em vigor. E, por outro lado, há um amplo setor da classe trabalhadora que já vive sob condições de trabalho muito degradantes. A reforma trabalhista nivela por baixo os padrões das condições de trabalho.

Esses fatores diferenciam a capacidade de resistência e também a capacidade do governo de aprovar ou não essas reformas. A baixa popularidade da reforma da previdência, entretanto, não preocupa muito o governo e os grandes capitalistas. É a próxima da agenda. Temer está buscando apoio em todos setores empresariais para reverter o receio dos deputados de votar a favor deste projeto repudiado pela população.

A retomada da resistência unificada se torna cada vez mais necessária. Algumas categorias tomam a dianteira da resistência, contra ataques que concretizam essas mudanças nos direitos. Foi assim nas campanhas salariais metalúrgicas e assim se desenvolve no funcionalismo público, que prepara manifestação em Brasília no dia 28.

Como demonstrou a greve geral de 28 de abril, a Frente Única para lutar é o melhor caminho para ampliar a resistência. A unidade das centrais e movimentos sociais conseguiu impor recuos ao governo. É necessário retomá-la perante a eminência da votação da reforma da previdência.

Ao mesmo tempo, a ampliação da resistência é o cenário mais favorável para a construção de uma alternativa política pela esquerda. A direita e extrema direita radicalizam suas ideias, suas ações, e crescem no ambiente de desesperança que a crise econômica e social cria. A esquerda socialista brasileira precisa disputar as mentes e corações dos trabalhadores contra a direita, e também em alternativa ao lulismo e o PT. Por isso, é necessário avançar na construção da Frente de Esquerda Socialista no Brasil, tanto nas lutas como nas eleições.