No alvorecer de um novo ano

“O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria, 
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem” 

 Guimarães Rosa

                                                                                                                                Por André Freire (MAIS/PSOL), Alexandre “Xandão” (NOS) e Miranda (M-LPS)

Uma situação que não está decidida

Há poucos dias da entrada de um novo ano, muitos ativistas, militantes e muitos trabalhadores e trabalhadoras, nutrem uma vontade de esquecer o ano de 2017.

Realmente foi o ano dos piores ataques aos direitos e conquistas da classe trabalhadora. Não pretendemos fazer um grande balanço do ano com este pequeno artigo, mas contribuir para uma reflexão que nos ajude a compreender a situação, as possibilidades e as principais tarefas para a Esquerda Socialista no próximo ano.

Para além de “extrair vitória nas derrotas” queremos olhar este ano como um ano inteiro e não só os recentes acontecimentos ou mesmo a atual situação. Se nos permitem, vamos lembrar um pouco mais que a continuidade do governo de 6% de popularidade e seus brutais ataques as conquistas e direitos do povo trabalhador brasileiro.

O ano inicia com a posse de Donald Trump e junto com ela massivas passeatas e protestos contra ele nas principais cidades dos EUA, movimento protagonizado principalmente pelas mulheres. No Brasil consolida-se o governo de Temer e seus corruptos e iniciam-se mobilizações de massa, tendo como ápice a greve geral de 28 de Abril e a Marcha a Brasília que reuniu mais de 200 mil pessoas em 24 de maio.

Uma nova Greve Geral foi marcada para 30 de junho e parecia que iriamos botar abaixo o governo Temer e suas reformas. Mas aí, as maiores centrais sindicais iniciaram o recuo nas mobilizações, em especial da CUT, situação que preconiza as derrotas do segundo semestre. De Greve Geral para dia nacional de luta e nada de mobilização. E o Congresso de corruptos aprova as reformas trabalhistas, a direita se assanha e inicia campanhas contra exibições de arte, impulsiona a aprovação do projeto chamado “escola sem partido” em várias cidades, aumento da criminalização de ativistas e movimentos.

E assim começou o segundo semestre, se estivéssemos em uma luta de boxe poderíamos dizer que ganhamos alguns “rounds” no primeiro semestre, mas sofremos duros golpes este segundo semestre, não fomos nocauteados, não perdemos a luta, mas estamos em desvantagem.

Os protestos realizados no dia 10/11, importantes greves, a ocupação Povo Sem Medo em São Bernardo do Campo de mais de 7 mil famílias na luta por moradia, as várias campanhas salariais do segundo semestre que em sua maioria mantiveram cláusulas detendo momentaneamente muitos dos itens da reforma trabalhista. Outro fato importante foi o “fogo amigo” das centrais sindicais marcando e desmarcando uma Greve Geral contra a reforma da previdência fato que desmobiliza e desmoraliza os trabalhadores e as direções sindicais. Por fim a falta de votos na Câmara dos Deputados que em nossa opinião tem mais a ver com a divisão da burguesia e o temor de uma explosão de mobilizações após os acontecimentos na Argentina que propriamente a mobilização das maiores centrais sindicais.  

O que fazer?

Está claro para nós que a unidade da classe para enfrentar essas batalhas é fundamental, portanto uma política ativa de Frente Única para enfrentar Temer e suas reformas é imperioso. A constituição de comitês, blocos, fóruns, frentes etc. para construir mobilizações e atividades contra as reformas e o governo Temer desde a base devem ser impulsionadas.

Devemos estar presentes, ombro a ombro com a classe em todas as frentes de luta e mobilização e no desenvolvimento destes, apresentamos as propostas mais consequentes para reunir, organizar e de forma adequada a cada situação explicarmos que somente uma plataforma de independência de classe, de auto-organização da classe trabalhadora dos explorados e oprimidos e de ruptura com a conciliação de classes pode levar a vitória. Este é o combate necessário para superação da conciliação de classes, base da política do lulismo.

A candidatura do PSOL pode jogar nesse processo, um papel importante para que o movimento avance, uma candidatura expressiva baseada em um programa de ruptura com o sistema e impulsionando a unidade para derrotar Temer e seus lacaios.

O ano vindouro promete grandes combates e desafios que colocarão em teste as direções do amplo movimento dos trabalhadores. De nossa parte estamos animados com as grandes possibilidades de contribuir com a reorganização da Esquerda Socialista auxiliando a classe a se reencontrar com uma política genuinamente socialista e revolucionária.

Coragem para ter a paciência e firmeza necessária para construímos um 2018 de vitórias e um novo patamar de organização da Esquerda Socialista. Não temos nada a temer.

Abraço de carinho e luta a todos e todas militantes e ativistas!

Um 2018 de lutas e vitórias!