Sobre as tarefas da esquerda socialista diante da luta contra a Reforma da Previdência e a condenação de Lula

Foto: Carol Burgos | Esquerda Online

Nota política conjunta da NOS e do MAIS

                                                                                                                                                      Qualquer análise política no País neste momento não pode ignorar a condenação do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva pelo TRF4, por unanimidade. Os resultados do mercado financeiro, com a alta recorde da bolsa de valores e a queda exuberante do dólar no dia seguinte, explicam muito mais sobre os interesses em jogo do que a leitura do voto dos três desembargadores. No fim, se é bom para o capital, não há como ser bom para nós.

Não há dúvidas que a política de conciliação de classes da direção do PT levou a que seu governo se envolvesse em esquemas fraudulentos com grandes empresas e bancos. Todavia a operação Lava Jato não conseguiu apresentar mais do que convicções e slides mal feitos para sustentar a condenação. Isso porque a tal operação, sob a cortina do chamado combate à corrupção, está a serviço de garantir o aprofundamento do neoliberalismo no Brasil e o desmonte do Estado.

O resultado em Porto Alegre nada tem a ver com Lula ser ou não inocente, assim como a queda de Dilma em nada teve a ver com as tais pedaladas fiscais. No fim, são atos do mesmo roteiro de golpe institucional que permitiu uma ofensiva nunca experimentada contra os direitos sociais e trabalhistas do povo brasileiro.

A burguesia brasileira, em suas muitas frações, não encontrou uma saída para a crise com o impeachment. Há entre essas frações a disputa pelo espólio da classe trabalhadora brasileira. Porém, a condenação de Lula a nosso ver é um unificador momentâneo para o aprofundamento da blindagem do regime brasileiro e mostra o papel que o poder judiciário cumpre no processo do golpe.

Defender que Lula tenha o direito a concorrer às eleições e lutar contra a possibilidade de sua prisão em nada pode ser confundido com prestar apoio ao ex-presidente, muito menos a seu projeto. Até mesmo porque estamos entre aqueles que defendemos que para sair da crise é preciso a radicalidade de afirmar que os ricos precisam pagar por ela. Não pode ser visto como natural que os cinco brasileiros mais ricos possuam o mesmo que metade da população mais pobre do país. Tampouco que o patrimônio dos bilionários brasileiros tenha crescido 13% enquanto a fatia da renda nacional da metade mais pobre tenha caído de 2,7% para 2%. É urgente colocar em andamento um projeto de medidas anticapitalistas que Lula e sua eterna busca pela conciliação de classes é incapaz de levar adiante.

Da mesma forma é preciso entender que é impossível afirmar tal projeto sem derrotar o golpe manifestado tanto na condenação de Lula como na recente ofensiva do governo e do próprio mercado pela aprovação da contrarreforma da Previdência. O governo pretende votar a reforma após o carnaval, e não vem poupando esforços para conquistar os votos que faltam na Câmara dos Deputados. No dia 19 de fevereiro por sua vez está marcado um dia nacional de paralisações convocado pelas centrais sindicais. É preciso a máxima unidade de ação nesse momento. É hora de unir a classe trabalhadora, colocar o bloco na rua e derrotar a ofensiva do golpe defendendo o direito à aposentadoria e as liberdades democráticas.