Uma alternativa à esquerda para derrotar o golpe, organizar a luta e fazer os ricos pagarem pela crise. Por uma frente de esquerda socialista com Boulos presidente.

SÃO PAULO, SP, BRASIL, 22.05. 2016: PROTESTOS-TEMER - O líder do MTST, Guilherme Boulos - Integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e Frente Povo Sem Medo realizam uma manifestação contra o presidente interino Michel Temer (PMDB), em São Paulo (SP). Concentração no largo da Batata e passeata até a residência de Michel Temer, na praça Conde de Barcelos, no bairro do Alto de Pinheiros, na zona oeste de SP (Foto: Alice Vergueiro/Folhapress)

Vivemos momentos dramáticos e decisivos em nosso país. O desgoverno de Michel Temer e seus aliados avançaram desde o golpe em um cenário de destruição social nunca visto antes. O congelamento de investimentos por vinte anos, o fim da CLT com a contrarreforma trabalhista e a terceirização sem limites ainda não mostraram a profundidade de seus efeitos nefastos, ainda assim, já falta trabalho para mais de vinte e seis milhões de brasileiros enquanto sobram homens, mulheres e crianças em situação de rua como há muito não vimos. A concentração de renda deu um salto olímpico fazendo com que somente cinco homens multimilionários tenham uma fortuna equivalente a tudo o que possui mais da metade da população brasileira. Esse salto também deu-se no aumento da fome, da violência urbana, dos crimes de ódio e dos conflitos por terra e moradia. 

                                                                                                                                                          O golpe segue. Ainda que o governo tenha sido derrotado momentaneamente no adiamento da contrarreforma da previdência, o golpe segue sob a batuta das forças opressoras de estado cuja maior demonstração é a intervenção federal no Rio de Janeiro. As favelas cariocas estão tomadas pelas forças do Exército, cujo comandante interventor já fala que o que se passa nos morros do Rio é um laboratório para todo o Brasil. A pauta da criminalização e perseguição da pobreza, mascarada como guerra às drogas tende a ganhar cada vez mais intensidade e arrebanhar mais e mais seguidores. A militarização da vida e da política sustenta o golpe, que até necessita das eleições para manter a fachada de normalidade democrática, mas que não abrirá mão de avançar em seu projeto de destruição social e submissão ao capital internacional.

Ao lado da militarização, o Judiciário ganha força e influência na vida do país. As próximas eleições não terão nada de normais com promotores, juízes e ministros do Supremo com uma força jamais vista na recente história da Nova República, que deverá levar Lula à cadeia como forma de garantir que mude de ideia e não se registre como candidato, e que se candidato for, que não faça campanha e se campanha fizer, não possa chegar até as urnas. Um segundo turno entre os defensores do golpe para que ele siga sem quaisquer chances de ser barrado, atrasado ou questionado é o que querem os donos do poder.

Nossa tarefa é a de construir uma saída pela esquerda, organizando cada vez mais lutadoras e lutadores de todo o país, erguendo o que serão as trincheiras para defender o amanhã. O PSOL precisa assumir essa missão apresentando nas lutas cotidianas e nas eleições uma alternativa de luta e resistência que não tenha medo de afirmar que não haverá saída para os explorados e oprimidos sem que se enfrente os donos do poder, as grandes corporações, o latifúndio, a especulação imobiliária, a grande mídia e o sistema financeiro. É determinante que nossa postura nessas eleições seja a de defender a revogação de todas as medidas do golpe, a retomada de nossas empresas privatizadas e de nossas riquezas e patrimônios naturais entregues a grupos estrangeiros, a imediata suspensão da dívida pública, a defesa da vida acima do lucro, da dignidade acima da “produtividade”, dos interesses do povo brasileiro acima dos do mercado e do grande capital.

A Nova Organização Socialista nutre um grande respeito por todas as pré-candidaturas que se apresentaram como alternativas para usar o número 50 nas eleições presidenciais e nos somamos a todos aqueles e aquelas que exigem mais democracia no interior do PSOL. Rechaçamos manobras estranhas que apontem a “uma base para um entendimento mais estratégico” com partidos como PT, PCdoB, PDT e PSB sob o manto de uma possível “unidade para reconstruir o Brasil” como a desenvolvida pela Fundação Lauro Campos e que contou com a participação do presidente e parlamentares do PSOL. Estamos a favor de lutar com quem quer que seja para barrar o golpe. Mas nossa unidade para “construir” um Brasil para nosso povo pobre e trabalhador nem de longe passa pelos interesses que movem tais legendas. Não há projeto estratégico possível com quem defende ser possível governar com e para os ricos e poderosos.

O lado do PSOL que defendemos é o lado do povo que luta e batalha no dia a dia; de quem ocupa escola, universidade, fábrica, terreno abandonado e latifúndio improdutivo; o lado dos povos tradicionais, das comunidades ribeirinhas, dos quilombolas e das nações indígenas; o lado dos que lutam contra toda forma de exploração e opressão. É o mesmo lado de muitas e muitos outros. É o lado da Frente de Esquerda que queremos e ousamos construir onde estejam PSOL, PCB, MTST, APIB e outros movimentos sociais e populares em luta. O nome que enxergamos neste momento tão delicado de nossa história que está em melhores condições para representar essa frente é o de Guilherme Boulos. Enxergamos no MTST um dos movimentos que melhor posicionou-se nos últimos anos assumindo papel destacado nas principais lutas de resistência. A unidade da esquerda nessas eleições com Boulos à frente dará a dimensão prática de que só a luta é capaz de mudar a vida e de que seguiremos avançando na resistência. Que os donos do poder saibam que os próximos anos serão de muitas marchas e passeatas, barricadas de pneu queimado, muita ocupação, greve e luta social e que o PSOL não abrirá mão de estar no centro de tudo isso.                  

1° de março de 2018                                                                                                                                                        Nova Organização Socialista